O maior patrimônio do Flamengo é sua torcida

Tem dia que a gente acorda animado, ansioso, com um sorriso largo no rosto. E tudo isso pelo “simples” fato de saber que é dia de Flamengo no Maracanã. Uma exaltação ao rubro-negrismo, ao amor pelo Mais Querido. É sobre reencontros. E foi assim a volta do Flamengo ao estádio.

Todo rubro-negro, pelo menos uma vez na vida, deveria ter o direito de vivenciar uma partida de futebol do Flamengo num Maracanã lotado. É diferente de tudo que você já viveu na vida, eu garanto. É uma experiência antropológica. Uma energia que contagia, que aproxima as pessoas, que tem o poder de deixar os problemas de lado, pelo menos enquanto você estiver naquela atmosfera. Um verdadeiro escudo protetor.

Ao rever os lances da goleada por 6 a 0 sobre o Bangu, a festa da galera, as postagens dos jogadores e comissão técnica, talvez você consiga entender um pouco da magnitude desse evento. Ir ao Maracanã é um compromisso consigo mesmo. Ganhando ou perdendo, o espetáculo é garantido.

Mero coadjuvante, o Bangu não era um adversário imponente, capaz de incomodar o Flamengo e estragar a festa na arquibancada, mas o jogo do último sábado não era sobre isso. Já classificado para as semifinais do Carioca, o time de Paulo Sousa precisava dar um presente aos mais de 63 mil rubro-negros no estádio. Entregar ao seu povo uma atuação de gala, que fosse capaz de encher de orgulho crianças, adultos, velhos, novos, mulheres, homens. Toda a Nação.

A partida foi para exaltar o amor ao Flamengo, à camisa. De acordar ansioso para levar os filhos, os netos ou até aquele amigo gringo ao estádio. Pelo simples prazer de se sentir parte daquilo tudo. Pelo pertencimento à festa rubro-negra. Só quem é Flamengo e já foi ao estádio é capaz de entender a magnitude de superar as catracas do estádio e ouvir os cantos da Nação ecoando nas pilastras do maior do mundo.

Paulo Sousa teve uma estreia de gala no Maracanã. Certamente se emocionou e concluiu, rapidamente, que sua escolha tinha sido acertada. Afinal de contas, qual ser humano não se sentiria um privilegiado de participar de uma ode ao futebol como aconteceu no Maracanã? Fazer parte da Nação Rubro-Negra não é somente uma escolha, mas também uma dádiva.

O futuro é incerto, imprevisível, mas um Flamengo perto de seu povo, com um Maracanã pulsando junto, costuma ser poderoso. Essa conexão campo-arquibancada é fundamental para o sucesso do Rubro-Negro. Que a torcida abrace esse time novamente e que “compre o barulho” do técnico Paulo Sousa, criando assim uma sinergia capaz de fazer o Flamengo quase imbatível novamente.

E que a Diretoria seja capaz de encontrar mecanismos inclusivos e tenha sensibilidade para perceber o óbvio: o Flamengo não é nada sem sua gente.

Foto: Gilvan de Souza

 

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